Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Os diários de Paula Lee

Ex-amante profissional. Autora do livro Alugo o meu corpo (D. Quixote).

Os diários de Paula Lee

Ex-amante profissional. Autora do livro Alugo o meu corpo (D. Quixote).

Homens portugueses são os melhores no sexo - Parte 7

Paula Lee, 30.06.21

É uma opinião muito particular minha, e mais uma dessas coisas que eu não podia ficar a falar muito quando ainda exercia a profissão: os portugueses são, em sua maioria, homens muito bonitos.

Talvez possa confundi-los um pouco agora: claro que não é a beleza física que faz com que um homem seja bom ou ruim de cama. Aliás, enquanto profissional do sexo pude descobrir muito isso, inclusive até me surpreender quando me via tendo orgasmos com homens que fisicamente não me atrairiam em nada.

Fato: bonitos ou nem tanto, não era a beleza que fazia com que um homem fosse bom de cama. Mas que a maioria dos portugueses eram bonitos? Ah, isso eram!

Mas calma, já entenderão onde quero chegar.

Fui para Portugal numa altura em que a internet não era tão comum quanto agora. Hoje qualquer um pode saber qualquer coisa de qualquer país. 

Mas não naquela época. Naquela época, o que se sabia de Portugal no Brasil era muito pouco. Os galãs portugueses? Ninguém conhecia, no máximo alguns futebolistas que conhecíamos no Mundial.

Podem rir. Mas quando fui para Portugal, achava que todos os portugueses eram homens baixinhos, barrigudos e bigodudos, vestidos sempre com suspensórios. 

Surpresa total!

Como disse, a beleza não é fator relevante. Porém. quando entrei na prostituição, outra coisa que também imaginei era que, os homens que frequentavam prostíbulos, eram (na minha cabeça!) aqueles que não conseguem conquistar ninguém, e que por isso precisavam pagar alguém para fazer sexo com eles.

Ah, me perdoem! Eu era jovem, não conhecia nada desse (sub)mundo, isso era o que eu imaginava dos homens que procuravam serviços de prostituição. Eu não sabia de nada, não fazia a menor ideia!

Eu não imaginava, por exemplo, que homens bonitos, jovens, esbeltos, sedutores, inteligentes, simpáticos, engraçados, etc, pudessem pagar alguém para fazer programa, na altura isso não fazia sentido na minha cabeça, e foi o que mais me surpreendeu nesse início: ir para a cama com homens que possivelmente eu escolheria para namorar, e ainda por cima receber por isto!

Bem, mas tem algo muito mais importante na beleza do homem português que, isto sim, faz com que eles sejam os melhores na cama: eles não sabem que são bonitos.

Ah, isso é sexy! Não é questão de modéstia ou de humildade, o homem português realmente não sabe o quão é bonito. Pode ser o homem mais lindo do mundo ali na sua frente, mas ele vai dizer "Ah, não sou não... Sou só um tipo normal!"

Lembro de uma vez, e de ter escrito sobre isso na altura lá no blogue AP que eu mantinha, em que um gajo mandou mensagem dizendo que ele era muito giro, e se por isso eu não lhe faria um desconto; não lembro qual foi a resposta que dei para ele naquela época, mas certamente terá sido uma resposta tão abusada quanto a proposta dele, rsrs.

Fato é que não há privilégios na prostituição. Não é porque o gajo é bonito ou feio que vai ter condições especiais. E não venham com aquilo da carteira de estudante, me cansava de ouvir essa mesma conversa no bordel.

Mas o que eu ia dizer é que este gajo, que fez essa proposta, foi um caso raro. Porque, na maior parte das vezes, os portugueses realmente não tinham noção da beleza física deles. 

Desculpem a minha sinceridade, mas trepar com um homem que não tem noção do tamanho da sua beleza física é algo excepcional.

Por quê? Porque um homem muito vaidoso, que sabe que é muito bonito, que se vê como um homem muito bonito - isso é ainda pior: o homem que se vê bonito, independente de ele ser ou não -, muitas vezes vai fazer sexo para apreciar a performance do próprio corpo e não o corpo da mulher que está ali com ele. Ele estará tão concentrado no próprio corpo, na admiração que tem por si mesmo, que se esquecerá de apreciar e de proporcionar prazer à mulher que está na cama com ele.

Sabe o gajo que vai para o ginásio e fica o tempo todo a tirar selfie, ou fotos no espelho para ver se o músculo cresceu mais dois milímetros? Desconfio! Os gajos mais vaidosos que atendi não eram necessariamente bons de cama. 

Não estou a falar que um gajo que se cuida não é bom de cama! Claro que frequentar um ginásio, por exemplo, fará bem para a sua saúde e consequentemente para a sua vida sexual. Não é sobre cuidar de si, cuidar de si é muito bom; é sobre a forma de se ver, é a vaidade exagerada e o nítido egocentrismo. Eu ainda me lembro como se fosse hoje: estes gajos, curiosamente, eram sempre bem ruins de cama. Nível hard da decepção.

Como eu dizia: o português, no geral, falando dessa maioria que conheci e atendi, não tem essa vaidade exagerada, pelo contrário, eles nem se acham bonitos, se acham homens comuns, nem bonitos e nem feios, alguns até me diriam que se acham feios, se eu perguntasse, e nem acreditariam se eu lhes dissesse, com sinceridade, o quanto considero que são bonitos!

E isso era um fato: a falta de noção sobre o tamanho da beleza física deles ajudava muito no sexo. O sexo é corpo? É sim, mas não é APENAS corpo.

Siga meu Twitter (e também o meu instagram!) e anote meu e-mail: osdiariosdepaulalee@gmail.com. O último post desta série será publicado em breve...

Homens portugueses são os melhores no sexo - Parte 6

Paula Lee, 26.06.21

Talvez este seja um post bem esclarecedor e diferencie o nível dos portugueses em relação ao sexo.

Nos posts anteriores eu falei muito sobre como os homens portugueses parecem respirar sexo, viver para o sexo, priorizar o sexo, não negar sexo, estar disponível para o sexo, etc.

Mas conforme cheguei a esclarecer, eles não são tarados, eles são homens que, simplesmente, realmente gostam de sexo, realmente gostam de mulher, realmente colocam o sexo no topo da lista dos itens indispensáveis para uma vida plena e feliz.

Porém, quando falamos de homens que gostam de sexo, de homens que de um modo geral gostam de sexo, na maior parte dos casos estamos a falar de gajos que gostam do ato em si, penetração, corpos, cama, ejaculação.

O que diferencia o homem português, e que o leva para um nível muito acima, para além de tudo aquilo que eu já disse, para além do primeiro tópico que citei, a respeito de os homens gostar de dar prazer para as mulheres, é algo ainda mais importante:

A COMPREENSÃO DO SEXO PARA ALÉM DO MERO ATO SEXUAL.

Sendo clara: para a maior parte das pessoas, o sexo é o ato, é o momento em si, o durante. Para os homens portugueses - os que conheci, maioria -, o ato sexual não é só o durante, como também o antes e o depois.

Não é só estarem dois corpos pelados na cama; o sexo já é sexo ainda antes de haver a intenção de ser sexo.

Exemplinhos?

Se no tempo em que fui profissional do sexo em Portugal, eu aceitasse tudo quanto era convite para jantar, almoçar, tomar um café, minha vida seria só almoçar, jantar e tomar café, rsrs, nem me sobraria tempo para uns trepadinhas de vez em quando, rsrs.

O homem postuguês, apesar de muitas vezes parecer mais reservado, gosta muito dessa convivência, dessa socialização, de sair contigo, te levar a um bom restaurante, te apresentar um sítio agradável, ficar no café à conversa, viajar contigo. 

Claro que, enquanto profissional do sexo, eu tinha que recusar a maior parte desses convites, exceto quando minha hora era previamente paga (o que acontecia muitas vezes). Isto porque o volume de convites era mesmo muito grande, e por mais que eu até tivesse uma grande amizade com muita gente, tomar café não pagava as minhas contas, eu precisava ser (também) profissional e me lembrar das responsabilidades.

Mas eu sempre notei isso no português. Claro que, quando um homem te convida para jantar, ele até espera que tu sejas a sobremesa, mas com o português é diferente. Não é que ele não tenha este mesmo desejo, tal como os outros homens, mas é que, para o português, isto é menos intencional. Para ele, se fizer sexo contigo depois do jantar, será ótimo. Mas também, se não fizer, terá sido ótimo ter ido jantar contigo. Ele compreende que, aquele momento que passou contigo, é tão importante quando o sexo. É parte integrante.

É como comparar viajantes. Há pessoas que viajam por horas, ficam entediadas por verem a demora, por levar tanto tempo para chegarem no destino. E há viajantes que apreciam o caminho, viajantes para os quais o caminho é tão importante quanto a chegada.

Siga meu Twitter (e agora também o meu instagram!) e anote meu e-mail: osdiariosdepaulalee@gmail.com. Este post terá continuação um dia destes...

Instagram "Os diários de Paula Lee"

Paula Lee, 25.06.21

instapl.jpg

Alguns recadinhos hoje.

Primeiro, criei uma conta no instagram, o endereço é este:

https://www.instagram.com/osdiariosdepaulalee/

Não sei se vou fazer algo com ele. De certo não pretendo publicar fotos e nem mostrar-vos o meu pequeno-almoço. Meu prazer no anonimato mantem-se, e acreditem em mim, depois que essa moda toda passar, pode ser que a maioria se sinta farta e venha a desejar o mesmo. O apego ao telemóvel tem sido a escravidão dos tempos modernos.

Eu só quis guardar o endereço, a princípio. Não acho que isto das redes sociais vai acabar ou que tenha que acabar, apenas que temos que descobrir uma forma de usar as novas tecnologias ao nosso favor e sem nos aprisionar. Conseguem mesmo acompanhar as atualizações de toda a gente? Eu não consigo! E se conseguisse, tenho certeza que seria às custas de abrir mão de outras atividades que são muito mais prioritárias para mim.

Mas podem me seguir lá, se quiserem, porque por lá também aparecerei, mas tal como aqui, sem garantia, sem obrigação.

Segundo recadinho. Amanhã sai a sexta parte da série "Homens portugueses são os melhores no sexo". O post entrará aqui às 14h e prometo, dessa vez não tão longo quanto a quinta parte, em que me perdi nos desabafos.

Siga meu Twitter e anote meu e-mail: osdiariosdepaulalee@gmail.com

Homens portugueses são os melhores no sexo - Parte 5

Paula Lee, 25.06.21

No post anterior contei e expliquei que os homens portugueses gostam MESMO muito de sexo. Agora vou falar algo que também pode lhes parecer óbvio:

OS HOMENS PORTUGUESES GOSTAM MUITO DE MULHER.

Não, não é tão óbvio o quanto pode parecer. Ao contrário do que pensam, há muitos homens que não gostam de mulher. Fazer sexo com uma mulher, ou ter desejo de fazer sexo com uma mulher, não caracteriza, exatamente, um homem que gosta de mulher.

Gostar de mulher é algo muito mais amplo do que isto. 

Tem homem que gosta apenas do próprio pau, do próprio tesão, da própria satisfação, da própria ejaculação. A mulher, para ele, é apenas um objeto para fazê-lo chegar nestas sensações e no fim desejado.

Gostar de uma mulher não é gostar apenas de um corpo. É gostar de quem mora neste corpo.

Vou dar um exemplo. Eu tinha uma maioria de clientes que eram regulares. Muito poucos, bem poucos mesmo foram os clientes com os quais transei uma vez só. Era uma questão de eu ter um corpo muitíssimo melhor que o das minhas colegas? Não. Havia - e sempre haverá - uma variedade enorme, meninas novas a chegar na atividade todos os dias. Algumas com o corpo pior que o meu, outras com o corpo melhor, e muitas outras também com o corpo parecido. Falemos daquelas com o corpo parecido, tipo tamanho e formato: se é tudo mais ou menos igual, por que voltar a estar comigo?

Também não era uma questão de "preço". Como disse, havia - e sempre haverá - uma grande variedade, inclusive de valores, mais altos e mais baixos também.

Não era questão de eu oferecer a foda mais espetacular de todas. Talvez alguns até considerassem, mas não, não era, e eles também sabem disso, basta procurar mais um pouco que em termos de perfomance irão encontrar algo semelhante ou talvez até melhor.

Não era por eu ser uma pessoa legal, simpática, educada, amigável, por mais que estas características servissem para um homem se sentir à vontade comigo e ter vontade de voltar.

Tem a ver com conexão, uma conexão que acontece entre duas pessoas. Mas, para haver essa conexão, você tem que primeiramente enxergar o outro como uma pessoa. 

E cada um como pessoa, homem ou mulher, tem as suas características peculiares.

***

Para a mulher, escolho a palavra CUIDAR. Para o homem, escolho a palavra PROTEGER.

Quantas vezes, em puteiro, não vi cliente perdido de bêbado, já a trocar as pernas? Minha função ali era fazê-lo me pagar bebidas, era fazê-lo se divertir, e não ser a fiscal da moral alheia. Eu não tinha nenhuma obrigação com ele para além das portas do bordel, mas quantas vezes não chamei um táxi, recomendando que não conduzisse naquele estado? Quantas vezes não ensinei como lavar o pau direito, quantas vezes não dei dicas para melhorarem no sexo, e quantas vezes também que, mesmo sabendo que não era esta a minha obrigação e nem o que muitos esperassem ou quisessem de mim, não dei mais carinho do que sexo, fazendo do sexo só a cereja no topo do bolo?

Mesmo sem saber que estavam a fazê-lo, todos os meus clientes que voltavam a me procurar estavam a me proteger. Estar com um cliente que já se conhece é uma segurança, é uma proteção, uma sensação, que, pelo menos para mim, era de ao mesmo tempo alívio e gratidão. Estar com um cliente conhecido, pelo menos naquele tempo do encontro com ele, me impedia de talvez ter aberto a porta para um cliente que não fosse tão agradável e gentil quanto ele. Na pior das hipóteses, me protegia inclusive da possibilidade de atender um cliente que fosse agressivo.

Homens que NÃO gostam de mulheres:

Sim, eu estou a dizer aqui que os portugueses são os melhores homens na cama, em nome de uma maioria que atendi, em nome de experiências que aconteceram COMIGO. Isso, como já expliquei no primeiro post dessa série, não quer dizer que não tive experiências desagradáveis. 

Em qualquer atividade profissional, você pode ter experiências desagradáveis com um cliente. Pode encontrar um cliente que seja mais rude, inclusive pode lhe aparecer no seu comércio um que seja maluco ou agressivo, e sempre será uma experiência traumática. Mas te digo: é muito pior quando este alguém toca o seu corpo. É muito pior quando você passa por algo ruim com alguém que tocou o seu corpo, a sua intimidade. Não só pelas sensações físicas deste corpo, não só pelo corpo em si, mas porque existe uma pessoa que mora dentro desse corpo.

É uma dor que reverbera. É uma dor que vai ficar a doer por muito tempo lá na alma. É uma dor que, mesmo passados muitos anos e você já nem se lembre lá dela, vai ficar como um incômodo no subconsciente. Você sabe que dói, mas não sabe o quê.

Talvez por isso escrevo, talvez por isso eu tenha tanta necessidade de escrever, talvez por isso eu tenha voltado aqui, tantos anos depois, por causa de tantas memórias que foram para o subconsciente, umas que precisam ser resgatadas para expressar essa gratidão tamanha que tenho por todos os clientes que me protegeram, outras para serem curadas, por mais que eu nem me lembre tanto delas e nem com tantos detalhes.

Quando estava na atividade e mantinha o blogue, com posts diários, quem lia o AP - Amante Profissional - se lembra que eu fazia de tudo para não "glamourizar" a prostituição. Tinha ótimos momentos? Tinha, maioria. Mas eu tinha muito cuidado, fazia questão de mostrar o lado menos bonito também, porque não queria que ninguém entrasse nessa atividade talvez seduzido pelo que eu contava. Eu não posso garantir, para nenhuma nova garota de programa, que ela vai ter as mesmas experiências que eu tive, ou os mesmos - maioria! - bons clientes que tive. E eu sei que, uma única experiência negativa, dói muito mais fundo do que deveria doer.

Em bordel, ou em muitos - porque tinha alguns, como o de Viana do Castelo, onde éramos muito protegidas e livres -, não tínhamos lá tanta liberdade de escolha. Chegava aquele cliente que ninguém gostava, ele tinha que ser atendido por alguém, aí ficava aquele empurra-empurra, "vai você", "não, vai você", "eu não, estou com dor de barriga", "eu não, hoje já fechei as portas do céu". Alguém tinha que ir,  por vezes quase tínhamos que tirar no palitinho ou no par ou ímpar quem iria para o sacrifício.

Já quando comecei a trabalhar em apartamento, por conta própria, pude ter mais liberdade para decidir quem eu atendia ou não. Claro que, num primeiro encontro, era um tiro no escuro, eu não tinha bola de cristal para adivinhar se aquele gajo que me aparecia à porta seria agradável ou não.

Quando me refiro a gajos desagradáveis, não estou a falar daqueles que fediam, que pareciam ter até uma borda de queijo na cabeça do pau; isso se resolve com água e sabão, se necessário dava um banho inteiro no homem e ainda lhe passava o meu Chanel 5.

Mas há coisas que não se resolvem e nem se tiram com água e sabão.

(Gosto de dar exemplos porque sei que a minha realidade era muito diferente da realidade da maior parte das pessoas. Por isso, posts longos, e um bom tempo para lê-los.)

Exemplo: tem gajo que é bruto e te machuca na cama. Por mais que a profissional diga, com todo o cuidado, "queridinho, não é para estragar o material", por mais que ela oriente "amorzinho, mais leve", ou sugira outra posição, ensine, explique, mostre, ele continua a repetir o erro e a te machucar, consciente de que está a te machucar e sem se importar com isso. O problema nem é estar a machucar, isto pode acontecer num descuido, numa empolgação, numa falta de jeito. É a pessoa fazer isso com consciência e não se importar.

Isso, talvez não percebam, é um estupro. Não é porque o sexo é pago, não é porque o sexo é com uma profissional, que isso deixa de ser estupro. Prostituição não é uma espécie de "estupro consentido" ou "estupro comprado". Um homem não contrata uma prostituta para estuprá-la, mas para ter prazer com ela ou através dela, o que não implica ter que proporcionar qualquer desconforto a ela em nome daquele prazer. 

Não importa se estás a foder uma desconhecida, a sua esposa ou uma prostituta pela qual pagaste pelo "serviço". A partir do momento que significa um desconforto para ela, a partir do momento em que verdadeiramente dentro dela ela não quer, é um estupro.

No que diz respeito aos "serviços de prostituição", há um acordo. São estabelecidas regras daquilo que o cliente pode ou não pode, assim como daquilo que a profissional pode ou não pode vir a fazer. "Pode fazer sexo anal? Pode fazer oral até eu gozar? Posso ficar quantos minutos? Pode me dar uma segunda oportunidade se eu gozar rápido?", todas essas coisas são perguntadas antes, até porque a profissional tem liberdade de dizer sim ou não a estas perguntas, e ele, aspirante a cliente, decidir vir ou não se encontrar com ela em função dessas respostas. É um acordo. Machucar a profissional, ser grosseiro, nada disso faz parte do acordo. 

O que acontece é que, na prostituição, nos vemos obrigadas muitas vezes a "aceitar" o estupro. Sim, já teve situação em que tive coragem de parar uma foda no meio. Mas também já teve situação em que não parei e deixei correr o estupro. Porque se calhar estava até a gostar? Longe disso. Era defesa. Era querer sair viva dali. Era saber que, um confronto, poderia ser pior para mim. E se o gajo fica ainda mais agressivo? E se ele fica puto por eu interromper a foda, até vai embora, mas dias depois me liga de outro número, ou manda outro gajo me ligar, abro a porta e entram vários homens no apartamento para me bater? 

Quando deixei de ser uma "menina de apartamento de convívio" para ser o que chamam de "acompanhante de luxo", passei a ter mais segurança. Porque eu ia para hotéis onde sabia nome e sobrenome dos clientes. Porque muitas vezes eu era paga por transferência bancária e assim também tinha esses dados. Mas quando trabalhava em apartamento, tudo o que eu tinha era o número do telemóvel de quem ligou. Mesmo que eu quisesse fazer uma queixa na delegacia - e sabendo que iam rir da minha cara, "prostituta estuprada, como assim?" -, eu não teria mais dados para além do número de um telemóvel que muito bem podia ser descartado, e também seria a minha palavra contra a palavra do cliente, que podia até fingir que nem me conhece.

Nunca fui agredida fisicamente por algum cliente, tipo a nível de ficar com um olho roxo. Estou falando de fodas agressivas. Que deixam a xota da gente doendo e ardida. Fodas que parecem socar o nosso útero. Fodas ruins que nos fazem perder a lubrificação natural, o que nos faz temer que um preservativo rasgue. No meu caso, não estou a falar de marcas expostas. Estas, só tive na altura do assalto. Sobre essas fodas doloridas, e que não faziam parte do acordo, muito fácil seria o cliente contestar, dizer que não tinha sido ele, talvez algum anterior ou o seguinte. Como provo? Trepando com ele de novo na frente da polícia para mostrar que o gajo não sabe trepar direito e que me machuca conscientemente?

O cliente, do lado de lá, muitas vezes não compreende tantas questões que são envolvidas quando nos procura. Alguns querem se "esconder" ao máximo, até ligam de número privado com medo que possamos ligar e atrapalhar o casamento deles. Eu não atendia números privados. Um número identificado era o mínimo que ele poderia me oferecer como segurança. Era a segurança de que não estou a atender a chamada de alguém que não quero mais atender. Quanto mais dados o cliente dá sobre ele, menor a probabilidade de acontecer algo ruim. 

De volta aos homens que gostam de mulheres:

Quando eu trabalhava com outras meninas, por vezes elas achavam exagerada a forma com que eu tratava os meus clientes. Ou entendiam que isto era uma forma que eu tinha de ter mais clientes.

Até era. Mas não era com esta intenção. Mais exemplos:

1) Digamos que atendi um cliente que pediu um tempo x, mas, ainda faltando alguns minutos, vejo esse cliente se vestir com pressa. Na atividade, isso é lucro. O tempo que ele deixou sobrar, posso atender outro, ou fazer outras coisas que me tragam lucro, tipo atender outros telefonemas. Mas se vejo que ele não está com pressa, não me disse ter outro compromisso ou que não deu uma fugidinha rápida do trabalho, digo "Ainda tem tempo, não quer ficar mais?".

Alguns homens se vestem à pressa, não por estarem atrasados, mas porque acham que tem que ser assim, que esperamos que seja. E na maior parte dos casos, é mesmo.

Mas eu fazia isso, muitas vezes perguntava se já tinham mesmo que ir embora. Não era para segurar cliente, cliente não tem obrigação de manter fidelidade, ele vai voltar naquela que o despachou com pressa também, eu não despachá-lo com pressa só faz com que, digamos, "eu trabalhe mais para ganhar o meu dinheiro mesmo sabendo que poderia ter trabalhado bem menos pelo mesmo valor".

Era por causa dessa sensação de proteção. "Ufa, que bom, correu bem, foi agradável". Me sentia protegida, segura e feliz naquele instante com ele.

Não sei se queria atender o próximo, ou como seria com o próximo, eu sabia que queria curtir aquele momento ali com alguém que foi agradável comigo. De certo modo, era também uma forma de agradecer por ele ter sido legal. Por mais que eu soubesse que a maioria dos homens que eu atendia eram legais, sempre havia a sombra daquela minoria que não foi. Então para mim, aquele que era legal era ainda muito mais importante.

2) Cliente com ejaculação precoce. Para quem trabalha na área, é o melhor cliente que tem. Não era a minha obrigação fazer isso, mas tinha cada cliente bom, do bem, que eu via que se incomodava com essa questão, e que eu ensinava as técnicas para retardar a ejaculação (algo que só dá pra fazer quando a questão não é médica, que fique claro).

Eu tinha obrigação de fazer isso? Claro que não. Eu tinha obrigação de ensinar? Também não. Isso faria com que ele virasse meu cliente eterno? Também não, até porque ele com certeza iria querer experimentar as técnicas com outras mulheres, até para ver se funcionava mesmo ou se era só comigo.

Ou seja, eu não tinha obrigação nenhuma de ensinar nada disso, mas ensinava porque eu pensava no quanto que, se ninguém ensinasse, ele viveria assim para sempre, o que prejudicaria inclusive nas suas relações afetivas.

E fazia isso, óbvio, por causa da tal "conexão" e da sensação de gratidão por estar protegida, por estar com um cliente que era agradável. 

Em resumo:

Um homem que gosta de mulher, gosta de mulher. Independente se ela é sua esposa, uma desconhecida ou uma prostituta. Vai tratar a todas de forma agradável, com respeito e consideração.

Eu não gostava da prostituição, muito menos de estar no papel de prostituta. Mas gostava dos meus clientes. Porque antes de serem clientes, eram homens com os quais eu gostava de estar, que me tratavam bem, que eram humanos comigo. Digo mais: se não fosse a minha "condição" de prostituta, eu teria feito sexo de graça com a maioria deles.

Siga meu Twitter. Anote meu e-mail: osdiariosdepaulalee@gmail.com. Esse post terá continuação em breve..

Homens portugueses são os melhores no sexo - Parte 5

Paula Lee, 08.06.21

No post anterior contei e expliquei que os homens portugueses gostam MESMO muito de sexo. Agora vou falar algo que também pode lhes parecer óbvio:

OS HOMENS PORTUGUESES GOSTAM MUITO DE MULHER.

Não, não é tão óbvio o quanto pode parecer. Ao contrário do que pensam, há muitos homens que não gostam de mulher. Fazer sexo com uma mulher, ou ter desejo de fazer sexo com uma mulher, não caracteriza, exatamente, um homem que gosta de mulher.

Gostar de mulher é algo muito mais amplo do que isto. 

Tem homem que gosta apenas do próprio pau, do próprio tesão, da própria satisfação, da própria ejaculação. A mulher, para ele, é apenas um objeto para fazê-lo chegar nestas sensações e no fim desejado.

Gostar de uma mulher não é gostar apenas de um corpo. É gostar de quem mora neste corpo.

Vou dar um exemplo. Eu tinha uma maioria de clientes que eram regulares. Muito poucos, bem poucos mesmo foram os clientes com os quais transei uma vez só. Era uma questão de eu ter um corpo muitíssimo melhor que o das minhas colegas? Não. Havia - e sempre haverá - uma variedade enorme, meninas novas a chegar na atividade todos os dias. Algumas com o corpo pior que o meu, outras com o corpo melhor, e muitas outras também com o corpo parecido. Falemos daquelas com o corpo parecido, tipo tamanho e formato: se é tudo mais ou menos igual, por que voltar a estar comigo?

Também não era uma questão de "preço". Como disse, havia - e sempre haverá - uma grande variedade, inclusive de valores, mais altos e mais baixos também.

Não era questão de eu oferecer a foda mais espetacular de todas. Talvez alguns até considerassem, mas não, não era, e eles também sabem disso, basta procurar mais um pouco que em termos de perfomance irão encontrar algo semelhante ou talvez até melhor.

Não era por eu ser uma pessoa legal, simpática, educada, amigável, por mais que estas características servissem para um homem se sentir à vontade comigo e ter vontade de voltar.

Tem a ver com conexão, uma conexão que acontece entre duas pessoas. Mas, para haver essa conexão, você tem que primeiramente enxergar o outro como uma pessoa. 

E cada um como pessoa, homem ou mulher, tem as suas características peculiares.

***

Para a mulher, escolho a palavra CUIDAR. Para o homem, escolho a palavra PROTEGER.

Quantas vezes, em puteiro, não vi cliente perdido de bêbado, já a trocar as pernas? Minha função ali era fazê-lo me pagar bebidas, era fazê-lo se divertir, e não ser a fiscal da moral alheia. Eu não tinha nenhuma obrigação com ele para além das portas do bordel, mas quantas vezes não chamei um táxi, recomendando que não conduzisse naquele estado? Quantas vezes não ensinei como lavar o pau direito, quantas vezes não dei dicas para melhorarem no sexo, e quantas vezes também que, mesmo sabendo que não era esta a minha obrigação e nem o que muitos esperassem ou quisessem de mim, não dei mais carinho do que sexo, fazendo do sexo só a cereja no topo do bolo?

Mesmo sem saber que estavam a fazê-lo, todos os meus clientes que voltavam a me procurar estavam a me proteger. Estar com um cliente que já se conhece é uma segurança, é uma proteção, uma sensação, que, pelo menos para mim, era de ao mesmo tempo alívio e gratidão. Estar com um cliente conhecido, pelo menos naquele tempo do encontro com ele, me impedia de talvez ter aberto a porta para um cliente que não fosse tão agradável e gentil quanto ele. Na pior das hipóteses, me protegia inclusive da possibilidade de atender um cliente que fosse agressivo.

Homens que NÃO gostam de mulheres:

Sim, eu estou a dizer aqui que os portugueses são os melhores homens na cama, em nome de uma maioria que atendi, em nome de experiências que aconteceram COMIGO. Isso, como já expliquei no primeiro post dessa série, não quer dizer que não tive experiências desagradáveis. 

Em qualquer atividade profissional, você pode ter experiências desagradáveis com um cliente. Pode encontrar um cliente que seja mais rude, inclusive pode lhe aparecer no seu comércio um que seja maluco ou agressivo, e sempre será uma experiência traumática. Mas te digo: é muito pior quando este alguém toca o seu corpo. É muito pior quando você passa por algo ruim com alguém que tocou o seu corpo, a sua intimidade. Não só pelas sensações físicas deste corpo, não só pelo corpo em si, mas porque existe uma pessoa que mora dentro desse corpo.

É uma dor que reverbera. É uma dor que vai ficar a doer por muito tempo lá na alma. É uma dor que, mesmo passados muitos anos e você já nem se lembre lá dela, vai ficar como um incômodo no subconsciente. Você sabe que dói, mas não sabe o quê.

Talvez por isso escrevo, talvez por isso eu tenha tanta necessidade de escrever, talvez por isso eu tenha voltado aqui, tantos anos depois, por causa de tantas memórias que foram para o subconsciente, umas que precisam ser resgatadas para expressar essa gratidão tamanha que tenho por todos os clientes que me protegeram, outras para serem curadas, por mais que eu nem me lembre tanto delas e nem com tantos detalhes.

Quando estava na atividade e mantinha o blogue, com posts diários, quem lia o AP - Amante Profissional - se lembra que eu fazia de tudo para não "glamourizar" a prostituição. Tinha ótimos momentos? Tinha, maioria. Mas eu tinha muito cuidado, fazia questão de mostrar o lado menos bonito também, porque não queria que ninguém entrasse nessa atividade talvez seduzido pelo que eu contava. Eu não posso garantir, para nenhuma nova garota de programa, que ela vai ter as mesmas experiências que eu tive, ou os mesmos - maioria! - bons clientes que tive. E eu sei que, uma única experiência negativa, dói muito mais fundo do que deveria doer.

Em bordel, ou em muitos - porque tinha alguns, como o de Viana do Castelo, onde éramos muito protegidas e livres -, não tínhamos lá tanta liberdade de escolha. Chegava aquele cliente que ninguém gostava, ele tinha que ser atendido por alguém, aí ficava aquele empurra-empurra, "vai você", "não, vai você", "eu não, estou com dor de barriga", "eu não, hoje já fechei as portas do céu". Alguém tinha que ir,  por vezes quase tínhamos que tirar no palitinho ou no par ou ímpar quem iria para o sacrifício.

Já quando comecei a trabalhar em apartamento, por conta própria, pude ter mais liberdade para decidir quem eu atendia ou não. Claro que, num primeiro encontro, era um tiro no escuro, eu não tinha bola de cristal para adivinhar se aquele gajo que me aparecia à porta seria agradável ou não.

Quando me refiro a gajos desagradáveis, não estou a falar daqueles que fediam, que pareciam ter até uma borda de queijo na cabeça do pau; isso se resolve com água e sabão, se necessário dava um banho inteiro no homem e ainda lhe passava o meu Chanel 5.

Mas há coisas que não se resolvem e nem se tiram com água e sabão.

(Gosto de dar exemplos porque sei que a minha realidade era muito diferente da realidade da maior parte das pessoas. Por isso, posts longos, e um bom tempo para lê-los.)

Exemplo: tem gajo que é bruto e te machuca na cama. Por mais que a profissional diga, com todo o cuidado, "queridinho, não é para estragar o material", por mais que ela oriente "amorzinho, mais leve", ou sugira outra posição, ensine, explique, mostre, ele continua a repetir o erro e a te machucar, consciente de que está a te machucar e sem se importar com isso. O problema nem é estar a machucar, isto pode acontecer num descuido, numa empolgação, numa falta de jeito. É a pessoa fazer isso com consciência e não se importar.

Isso, talvez não percebam, é um estupro. Não é porque o sexo é pago, não é porque o sexo é com uma profissional, que isso deixa de ser estupro. Prostituição não é uma espécie de "estupro consentido" ou "estupro comprado". Um homem não contrata uma prostituta para estuprá-la, mas para ter prazer com ela ou através dela, o que não implica ter que proporcionar qualquer desconforto a ela em nome daquele prazer. 

Não importa se estás a foder uma desconhecida, a sua esposa ou uma prostituta pela qual pagaste pelo "serviço". A partir do momento que significa um desconforto para ela, a partir do momento em que verdadeiramente dentro dela ela não quer, é um estupro.

No que diz respeito aos "serviços de prostituição", há um acordo. São estabelecidas regras daquilo que o cliente pode ou não pode, assim como daquilo que a profissional pode ou não pode vir a fazer. "Pode fazer sexo anal? Pode fazer oral até eu gozar? Posso ficar quantos minutos? Pode me dar uma segunda oportunidade se eu gozar rápido?", todas essas coisas são perguntadas antes, até porque a profissional tem liberdade de dizer sim ou não a estas perguntas, e ele, aspirante a cliente, decidir vir ou não se encontrar com ela em função dessas respostas. É um acordo. Machucar a profissional, ser grosseiro, nada disso faz parte do acordo. 

O que acontece é que, na prostituição, nos vemos obrigadas muitas vezes a "aceitar" o estupro. Sim, já teve situação em que tive coragem de parar uma foda no meio. Mas também já teve situação em que não parei e deixei correr o estupro. Porque se calhar estava até a gostar? Longe disso. Era defesa. Era querer sair viva dali. Era saber que, um confronto, poderia ser pior para mim. E se o gajo fica ainda mais agressivo? E se ele fica puto por eu interromper a foda, até vai embora, mas dias depois me liga de outro número, ou manda outro gajo me ligar, abro a porta e entram vários homens no apartamento para me bater? 

Quando deixei de ser uma "menina de apartamento de convívio" para ser o que chamam de "acompanhante de luxo", passei a ter mais segurança. Porque eu ia para hotéis onde sabia nome e sobrenome dos clientes. Porque muitas vezes eu era paga por transferência bancária e assim também tinha esses dados. Mas quando trabalhava em apartamento, tudo o que eu tinha era o número do telemóvel de quem ligou. Mesmo que eu quisesse fazer uma queixa na delegacia - e sabendo que iam rir da minha cara, "prostituta estuprada, como assim?" -, eu não teria mais dados para além do número de um telemóvel que muito bem podia ser descartado, e também seria a minha palavra contra a palavra do cliente, que podia até fingir que nem me conhece.

Nunca fui agredida fisicamente por algum cliente, tipo a nível de ficar com um olho roxo. Estou falando de fodas agressivas. Que deixam a xota da gente doendo e ardida. Fodas que parecem socar o nosso útero. Fodas ruins que nos fazem perder a lubrificação natural, o que nos faz temer que um preservativo rasgue. No meu caso, não estou a falar de marcas expostas. Estas, só tive na altura do assalto. Sobre essas fodas doloridas, e que não faziam parte do acordo, muito fácil seria o cliente contestar, dizer que não tinha sido ele, talvez algum anterior ou o seguinte. Como provo? Trepando com ele de novo na frente da polícia para mostrar que o gajo não sabe trepar direito e que me machuca conscientemente?

O cliente, do lado de lá, muitas vezes não compreende tantas questões que são envolvidas quando nos procura. Alguns querem se "esconder" ao máximo, até ligam de número privado com medo que possamos ligar e atrapalhar o casamento deles. Eu não atendia números privados. Um número identificado era o mínimo que ele poderia me oferecer como segurança. Era a segurança de que não estou a atender a chamada de alguém que não quero mais atender. Quanto mais dados o cliente dá sobre ele, menor a probabilidade de acontecer algo ruim. 

De volta aos homens que gostam de mulheres:

Quando eu trabalhava com outras meninas, por vezes elas achavam exagerada a forma com que eu tratava os meus clientes. Ou entendiam que isto era uma forma que eu tinha de ter mais clientes.

Até era. Mas não era com esta intenção. Mais exemplos:

1) Digamos que atendi um cliente que pediu um tempo x, mas, ainda faltando alguns minutos, vejo esse cliente se vestir com pressa. Na atividade, isso é lucro. O tempo que ele deixou sobrar, posso atender outro, ou fazer outras coisas que me tragam lucro, tipo atender outros telefonemas. Mas se vejo que ele não está com pressa, não me disse ter outro compromisso ou que não deu uma fugidinha rápida do trabalho, digo "Ainda tem tempo, não quer ficar mais?".

Alguns homens se vestem à pressa, não por estarem atrasados, mas porque acham que tem que ser assim, que esperamos que seja. E na maior parte dos casos, é mesmo.

Mas eu fazia isso, muitas vezes perguntava se já tinham mesmo que ir embora. Não era para segurar cliente, cliente não tem obrigação de manter fidelidade, ele vai voltar naquela que o despachou com pressa também, eu não despachá-lo com pressa só faz com que, digamos, "eu trabalhe mais para ganhar o meu dinheiro mesmo sabendo que poderia ter trabalhado bem menos pelo mesmo valor".

Era por causa dessa sensação de proteção. "Ufa, que bom, correu bem, foi agradável". Me sentia protegida, segura e feliz naquele instante com ele.

Não sei se queria atender o próximo, ou como seria com o próximo, eu sabia que queria curtir aquele momento ali com alguém que foi agradável comigo. De certo modo, era também uma forma de agradecer por ele ter sido legal. Por mais que eu soubesse que a maioria dos homens que eu atendia eram legais, sempre havia a sombra daquela minoria que não foi. Então para mim, aquele que era legal era ainda muito mais importante.

2) Cliente com ejaculação precoce. Para quem trabalha na área, é o melhor cliente que tem. Não era a minha obrigação fazer isso, mas tinha cada cliente bom, do bem, que eu via que se incomodava com essa questão, e que eu ensinava as técnicas para retardar a ejaculação (algo que só dá pra fazer quando a questão não é médica, que fique claro).

Eu tinha obrigação de fazer isso? Claro que não. Eu tinha obrigação de ensinar? Também não. Isso faria com que ele virasse meu cliente eterno? Também não, até porque ele com certeza iria querer experimentar as técnicas com outras mulheres, até para ver se funcionava mesmo ou se era só comigo.

Ou seja, eu não tinha obrigação nenhuma de ensinar nada disso, mas ensinava porque eu pensava no quanto que, se ninguém ensinasse, ele viveria assim para sempre, o que prejudicaria inclusive nas suas relações afetivas.

E fazia isso, óbvio, por causa da tal "conexão" e da sensação de gratidão por estar protegida, por estar com um cliente que era agradável. 

Em resumo:

Um homem que gosta de mulher, gosta de mulher. Independente se ela é sua esposa, uma desconhecida ou uma prostituta. Vai tratar a todas de forma agradável, com respeito e consideração.

Eu não gostava da prostituição, muito menos de estar no papel de prostituta. Mas gostava dos meus clientes. Porque antes de serem clientes, eram homens com os quais eu gostava de estar, que me tratavam bem, que eram humanos comigo. Digo mais: se não fosse a minha "condição" de prostituta, eu teria feito sexo de graça com a maioria deles.

Siga meu Twitter. Anote meu e-mail: osdiariosdepaulalee@gmail.com. Esse post terá continuação em breve..

Homens portugueses são os melhores no sexo - Parte 4

Paula Lee, 07.06.21

 

No primeiro post desta série, fiz uma (longa) introdução para explicar quais eram os fundamentos dessa minha opinião de que os portugueses são os melhores homens no sexo. No segundo, contei que, no top dessa lista, está o fato de que os homens portugueses gostam muito de dar prazer para uma mulher, e no terceiro, referi-me à facilidade com que a maior parte dos portugueses têm uma ereção.

Agora venho falar de um tópico que talvez nem compreendam tão bem a princípio:

OS HOMENS PORTUGUESES GOSTAM MUITO DE SEXO!

"Oh, pá, grande novidade! Claro que os homens portugueses gostam de sexo, todos os homens gostam de sexo!"

Não, tu não estás a me compreender... Os homens portugueses gostam MESMO de sexo!

"Como assim? Como é isso de ter homens que gostam de sexo e homens que gostam MESMO de sexo? Uns gostam mais e outros gostam menos?"

Não é isso de uns gostarem mais e outros gostarem menos. A maioria, em termos globais, gosta muito de sexo sim, isso não é exclusividade dos portugueses.

Mas refiro-me à postura diante do sexo, da possibilidade de sexo, de priorizar o sexo.

Não são tarados e nem maníacos, não estamos a falar disso! Eles gostam MESMO de sexo!

O homem português é capaz de parar tudo aquilo que ele estiver a fazer de mais importante se ele receber uma oferta de sexo. 

Não é apenas uma condição da natureza masculina. Não é que ele apenas PRECISE fazer sexo porque todos nós, homens e também mulheres, temos essa necessidade de nos satisfazer sexualmente. Ele gosta, ele gosta muuuuuitoooo, ele coloca isto em primeiro lugar.

Todos nós precisamos ir à casa de banho para fazer chichi. Mas se nos fosse possível não fazer, se fosse saudável não fazer, não era algo que nos faria falta, caso o ato de urinar ou não urinar pudesse ser apenas uma questão de escolha. O homem português, mesmo se ele não precisasse fazer sexo, ele faria sexo, ele escolheria fazer sexo.

Se uma mulher diz para um homem português: "Vou dar-te sexo, mas tens que ficar 3 dias e 3 noites à porta do meu apartamento à espera", pode contar que ele ficará ali, de prontidão como um guarda britânico, à espera, sem comer e sem dormir, a contar os segundos, ansioso pelo seu momento... e feliz! Claro que estou a exagerar, mas é para terem mais ou menos uma noção. Ele não será o tipo que ficará a reclamar de tudo o que ele vai ter que fazer para ter sexo, ele foca apenas no objetivo final, que é ter sexo, isso para ele é mais importante que qualquer outra coisa. Que importa lá se ficou 3 dias debaixo de chuva? Ele está a pensar no sexo, ele pensa no sexo, ele respira sexo, todo o resto é muito menor,  irrelevante. Tu ficarias 3 dias e 3 noites de pé, sem comer e sem dormir, se isso te garantisse um prêmio milionário do Euromilhões? Ficaria, não ficaria? Então, para o homem português, o sexo tem esse tipo de valor. Para ele o sexo não é uma coisa qualquer, não é algo banal, que todo mundo faz. Para ele é um tesouro, um prêmio, um presente desejado e recebido com alegria.

Lembra do post anterior desta série em que falei da ereção fácil? Não me refiro apenas à primeira ereção. O homem português tem várias ereções com facilidade. Basta a mulher insinuar que quer mais sexo, que ele terá uma nova ereção e também uma enorme alegria com a oportunidade de poder proporcionar e receber mais prazer. Mas já está atrasado para a reunião? Foda-se a reunião, tudo pode esperar.

O HOMEM PORTUGUÊS É UMA MÁQUINA DE SEXO

Com isto, não quero dizer que o homem tenha, obrigatoriamente, que ser uma máquina de sexo, sempre "pronto", sempre com o instrumento afiado. Muito menos, quero dizer também que seja a quantidade de sexo algo que interfira na noção de qualidade do sexo. (A qualidade do sexo, meus caros, não tem a ver com a quantidade de sexo, nem com a duração, nem com a performance: tem a ver com a intensidade com que estes dois seres se entregam um ao outro, anotem aí).

Mas o que quero explicar neste post, é que o homem português tem muita disponibilidade para o sexo. Ele está sempre disponível e não vê (muito menos cria) obstáculos para isso. Está cansado? Vai fazer, mesmo se estiver cansado! Ele pode negar água, depois de uma semana no deserto, mas sexo ele não recusa.

Nomes fictícios para entenderem, e que antes disso entendam também que o que estou a dizer aqui não está associado a questões emocionais ou psicológicas, que naturalmente, poderão condicionar uma pessoa nas suas escolhas em relação ao sexo. (Por exemplo. Apesar de eu ter motivos para não acreditar muito na existência de uma maioria de homens que sejam fiéis, sei que há uma parte que é sim. Alguns, são fiéis e felizes com a fidelidade, se sentem completos com suas parceiras, inclusive sexualmente. Há outros, que são fiéis, mas não se sentem completos, sentem sim que gostariam de ter mais sexo, ou sexo com outras mulheres, mas não o fazem por uma questão moral e emocional; porém, não quer dizer que estejam em prejuízo, porque a falta do "sexo extra" que talvez desejariam, é compensada de outras formas, como com a cumplicidade, a convivência, a construção de algo em conjunto).

Esqueçam o gajo que descrevi acima e voltemos à questão do desejo sexual puramente dito, sem estar condicionado por questões emocionais ou psicológicas. Digamos que o Luiz morre de tesão pela Sofia. A Sofia não é a única opção de sexo dele, que isto fique esclarecido, ele tem sexo esporádica ou regularmente também com a Bruna, a Carla, a Maria. Mas ele morre de tesão pela Sofia. Não é que ele não tenha um imenso prazer e satisfação também com a Bruna, com a Carla e com a Maria, uma coisa nada tem a ver com a outra, isso não impede de ele sentir tesão pela Sofia, que ele ainda não comeu. Mas digamos que a Sofia, para fazer sexo com ele, estabeleça uma condição:

- Ok... Vou fazer sexo contigo. Mas para isto, primeiro quero que me traga flores, lave o meu carro, conserte o vazamento na minha pia, leve o meu gato ao veterinário e busque o meu filho à escola.

Um homem "comum" talvez diga: "Ah não, quanto trabalho por uma foda! Para quê vou fazer tudo isto para comer a Sofia, por mais tesão que ela me dê, se posso ter sexo muito mais facilmente com a Bruna, com a Carla e com a Maria, com as quais inclusive já sei que a foda é ótima?"

Já o homem português, ou o homem português que conheci, não. Ele vai fazer tudo isto para comer a Sofia, e ainda vai continuar a comer a Bruna, a Carla e a Maria!

E mesmo que a foda com a Sofia nem seja tão espetacular como é a foda com as outras, pode contar: ele vai continuar sem perder a oportunidade de comer a Sofia, vai deixar o carro dela brilhando, e ainda vai perguntar se ela não precisa de mais alguma coisa.

...

O homem português que estou a descrever é o homem que conheci quando era profissional do sexo e já há alguns anos atrás. Houve uma grande mudança no mundo nos últimos tempos, principalmente em função das redes sociais, da acessibilidade da pornografia, etc. Logo, não posso afirmar com certeza que os homens portugueses que descrevi continuam os mesmos, isso digam-me lá vocês...

 

Siga meu Twitter. Anote meu e-mail: osdiariosdepaulalee@gmail.com. Esse post terá continuação em breve...

O prazer do anonimato

Paula Lee, 06.06.21

Demorei um pouco, mas estou de volta. E já aviso: a série "Homens portugueses são os melhores no sexo" terá mesmo continuação e já entrará um post novo com este tema amanhã aqui, às 14h, acabei de escrevê-lo.

Demorei a voltar mais do que pretendia. Não foi por falta de vontade, e nem de saudades. Tenho recebido mensagens no e-mail, que tenho respondido. Talvez não tão rapidamente, mas tenho respondido. Tem sido bastante agradável e gratificante (re)encontrar velhos amigos, velhos "clientes-amigos" (assim já os chamava) e também velhos leitores e leitoras do blog (aliás, até mais velhas leitoras do que velhos leitores, mulheres queridíssimas com as quais eu até me lembro já ter conversado com elas por e-mail, muitos e muitos anos atrás).

Apesar da saudade, confesso que me agrada essa liberdade de escrever. Escrever quando quero, quando posso. Não é que antes eu não quisesse, queria sim. Mas havia também um outro tipo de necessidade na época.

E não era apenas a necessidade "comercial", digamos assim. Concordo, o blog me trouxe muitos clientes na altura. Mas se naquela época eu pensasse no blog apenas como uma ferramenta para trazer clientes, para começar eu não teria contado nem um décimo das coisas que contei, teria mostrado só o lado que interessasse mostrar para atrair clientes, o lado que nos tempos atuais chamaríamos de "coisas instagramáveis". Fora que nenhuma garota de programa precisava de blog para ganhar dinheiro, havia outros modos de divulgação. Se apenas as acompanhantes-blogueiras ganhassem dinheiro, naquela altura só eu e menos de meia dúzia que ganharia, porque naquela época não era como agora, em que todo mundo se expõe numa conta própria num blog ou numa rede social (já volto a falar sobre isso).

Eu mantinha o blog porque tinha a necessidade, não só de atrair clientes, mas, sendo uma das consequências atraí-los, atrair os melhores. O blog me permitia contar não apenas o que acontecia, mas o que eu sentia. E isso trouxe humanização e proximidade com as pessoas. Essa humanização me trouxe clientes que não me olhariam apenas como um objeto, mas como uma pessoa, uma pessoa que sente. Então eu tinha a necessidade de manter a escrita, para continuar tendo não só clientes, porque isto conseguiria em outras plataformas, mas especificamente esse tipo de cliente, o "cliente-amigo" como eu chamava.

Sempre mantive o anonimato, mas era um meio-anonimato. Porque, por mais que eu mantivesse um anonimato na rede, eu tinha o telemóvel para contato e praticamente qualquer um poderia ligar para marcar um encontro comigo, e assim pronto, acabou o anonimato, pelo menos frente a frente com quem vinha me encontrar.

Da mesma forma que aconteceu de ter conhecido homens maravilhosos, eu estava exposta ao risco. Nada impedia que pudesse ter acontecido o contrário. 

Escrever era também um risco, até por causa dos assuntos que abordava, das coisas que contava. Nem digo só de questões mais sérias denunciadas, era o meu grau de sinceridade e de espontaneidade diante de situações que estavam muito vivas porque tinham acabado de acontecer. Um simples ego ferido, mesmo que de forma não-intencional, poderia representar um risco para mim, justamente porque qualquer um poderia pegar o meu contato e marcar um encontro como se fosse cliente. Qualquer um, que pudesse se sentir chateado ou ofendido por qualquer relato ou opinião minha, podia me representar um risco.

Não que eu dissesse coisas que pudessem identificar as pessoas, nunca fiz isso. Mas eu falava de fatos, de situações que poucas pessoas tinham conhecimento, e que algumas pessoas podiam não gostar ou se sentirem prejudicadas pela voz que eu tinha na internet na altura.

Por isso amo hoje esse anonimato total. Já não sou profissional do sexo mas posso continuar a falar sobre sexo sem que isso me deixe exposta demasiado.

Amo essa liberdade. Amo não me sentir ameaçada ou com a possibilidade de ser ameaçada. Amo não sentir medo. Amo não ter que fingir que não sinto medo.

Como contraponto, vejo como a vida mudou desses anos para cá. Hoje, todo mundo se manifesta sobre tudo. Há mais escritores que leitores e uma grande necessidade de receber atenção, de ter números de seguidores, de seguir alguém não porque este alguém tem algo relevante, mas porque quer ser seguido de volta e ser visto também. Nada contra, obviamente, é só uma observação.

Só acho curioso como que hoje, quando todos querem se mostrar, quando todos querem views e likes, eu contemplo essa liberdade - e privilégio - de já não ter que lutar por nada disso.

Paz, sossego e tranquilidade, hoje estas são as minhas prioridades. Talvez, se não tivesse vivido tudo o que vivi lá trás, não tivesse essa convicção tão forte hoje. Talvez, hoje eu estaria a fazer o mesmo e a desejar o mesmo. Mas não. Eu já vivi isso. Já passei dessa fase. Ah, como é bom ser livre! Como é bom vir para a internet quando quero, mas sem me sentir obrigada a vir.  Poder aparecer e desaparecer - e aparecer de novo quando apetecer - sem ter que dar satisfação para quem nem conheço.

Pretensão zero de influenciar alguém nisso. Apenas a minha constatação de como hoje está tudo tão desproporcional, do quanto a vida na internet parece sobrepor-se à vida real, aos contatos reais, ao olho no olho, aos momentos que já não são mais compartilhados (e vividos!) com quem está perto mas com toda uma malta que nem se conhece, às situações e emoções que quase parecem inválidas se o telemóvel estiver sem bateria para fotografar.

Para aqueles que talvez hoje ainda não saibam: também existe vida off-line, e ela é bem prazerosa.

Siga meu Twitter, (De vez em quando apareço lá). Anote meu e-mail para não perdermos o contato caso eu suma de novo: osdiariosdepaulalee@gmail.com

Homens portugueses são os melhores no sexo - Parte 3

Paula Lee, 14.10.20

Se leu a parte 1 e a parte 2, já pode perceber que, o simples fato de os homens portugueses terem prazer em dar prazer para as mulheres, ponto primeiro da minha lista, já vale até caso eles não fossem bons em outros quesitos.

Mas tem mais.

Algo bem característico no homem português é a facilidade com que ele consegue uma ereção. Atenção: refiro-me a homens de todas as idades, até os mais velhos!

A maior parte dos homens, isso mundialmente, se excita - alguns até são condicionados por isso - através de um estímulo visual. Ele vê algo que lhe excita e lá está o dito cujo a apontar pelas calças.

Alguns, inclusive, não são dependentes apenas do estímulo visual, mas de serem tocados para o dito cujo acordar.

Todavia, na maior parte dos casos, isso não se encaixa no perfil do homem português que eu conheci.

Podia estar sentada perto dele, tendo a conversa mais banal possível, o dito cujo sossegadinho dentro das calças, sem dar qualquer sinal da sua existência, bastava dizer "Vamos?" que o danado apontava, antes de eu ter tirado a roupa ou ter lhe tocado. É só dar a ordem: "hora de trepar", que o danado levantava e estava pronto para o trabalho!

Quantos eram assim? Mais de 95% com toda a certeza!

Tem coisa mais desgastante do que tentar ressuscitar um morto? Com o português, raramente esse era o meu trabalho, pouquíssimas vezes tive que chupar pelanca.  

Claro que, se formos falar do trabalho em bordéis, isso podia acontecer um pouco mais. Leve em conta que, em bordel, muitos já sobem para o quarto após alguns copos, e há os que usam drogas, que também muitas vezes "dão trabalho". Outros, porque foram pressionados pelos amigos, que já foram com as nossas colegas, aí eles "têm" que ir também para não fazer feio perante os outros, mas nem estavam lá com aquela vontade de trepar. Fora o caso dos virgens, que são levados meio à força pelo pai ou tios e que são pressionados a mostrarem que são homens. E tem a pressão do tempo, saber que tem aquele tempo para ter uma ereção e gozar, que caso contrário o cafetão vai bater à porta do quarto. 

Tirando essas situações, raras as vezes que tive o desprazer de trabalhar no velório de um pinto. 

Siga meu Twitter. Anote meu e-mail: osdiariosdepaulalee@gmail.com. Esse post terá continuação em breve...

 

Homens portugueses são os melhores no sexo - Parte 2

Paula Lee, 13.10.20

Leram o post anterior? Então podemos avançar...

Sei que nesse momento podem estar a perguntar:

"Como pode uma profissional do sexo avaliar um homem no sexo, se o objetivo principal dela não é ter prazer no sexo com este homem?"

Têm razão. Em parte.

Eu conheci várias profissionais que trabalhavam em bordel por causa do vício pela bebida. O "alterne" era para elas um prazer, pedir copos era um prazer. Mas não conheci mulheres que tenham entrado na prostituição para terem orgasmos, para terem sexo, a gente entra pra ganhar dinheiro mesmo, sejamos sinceras.

Cheguei a dizer no blog, na altura que atendia, que achava que, independente da profissão que exercemos, deveremos tentar sempre fazer o nosso melhor. Se o meu trabalho fosse varrer ruas, eu iria tentar varrer a rua da melhor forma possível a cada dia. 

Entretanto, há coisas que nem dependem apenas da nossa vontade. Tentei dar o melhor sim, mas tenho consciência de que até  "o meu melhor" era limitado pelas circunstâncias. Claro que a minha sensação, no sexo com o primeiro cliente, não será a mesma sensação com o décimo segundo do dia, quando o corpo já está cansado e já foi tocado por tantos outros. Só posso pedir desculpas a quem, independente da minha vontade, por uma questão ou outra - circunstanciais, físicas, emocionais, etc - até dei o meu melhor mas o meu melhor foi inferior àquele que eu desejava dar.

Todavia, mesmo com essas situações condicionadas pelo fato de sermos acima de tudo seres humanos, o fato de ser profissional me dá bagagem sim para poder avaliar o desempenho sexual dos homens.

Primeiro por aquilo que vai lhes parecer óbvio: o fato de eu ter feito sexo com muitos homens. Uma mulher comum, que nunca tenha trabalhado com o sexo, terá sua visão dos homens com quem ela transou sim, mas este número é infinitamente menor e menos variado do que aquele que encontramos quando somos "escolhidas" por este grupo que nos procura.

Mas a seguir porque, mesmo com essas limitações - não haver sentimento, fazer sexo com desconhecidos, não saber o que vai aparecer a seguir, ser muitas vezes objetificada para o prazer imediato do outro, ser paga, ter que estar disponível para o sexo, etc -, se posso calcular, estatisticamente, que uma maioria era bom na cama... bem, então é porque era mesmo, porque era bom até com todas essas limitações!

Não me sentia obrigada a ter orgasmos, mas tive muitas e muitas vezes, aguenta essa.

E sempre foi bom assim: sem ser obrigatório e de forma natural, até inesperada às vezes. Mas confesso: tinha dia que era intencional. Se eu estivesse com muito tesão, atendia o telefone a pensar: "O primeiro que aparecer aqui vai ter que me fazer gozar!". Não dava outra. Chegava o cliente e eu dizia: "Querido, tu mesmo! Não saias daqui antes de me dar um orgasmo!"

Eu não era assim no princípio, quando comecei. Lembrem que comecei muito jovem e inexperiente, mal conhecia o meu próprio corpo, e trabalhei em bordel, onde tinha a pressão do tempo, onde tinha que ir para o quarto com qualquer cliente. Mas com o tempo, além de conhecer melhor o meu corpo, aprendi a me desligar de certas crenças, certos parâmetros limitantes. Exemplo: eu era jovem e achava, na minha cabeça, que eu teria prazer sexual só com pessoas jovens como eu, ou só com pessoas que, de certa forma, me atraíssem fisicamente. Quando um dia me surpreendi tendo um  orgasmo com um homem velho e bastante feio - na minha opinião na época -, pude perceber que não era bem assim.

E se o tema desse post é explicar as minhas razões para considerar que os homens portugueses são os melhores de cama, está aqui a razão que coloco no topo da lista:

HOMENS PORTUGUESES ADORAM DAR PRAZER PARA AS MULHERES NA CAMA.

Sim, é claro que ele não vai numa profissional do sexo na expectativa que isso aconteça, não são arrogantes e nem ingênuos a este ponto. Alguns até dizem isso, que o prazer deles é o prazer da mulher, mas são poucos, até porque eles esperam que estejamos a mentir orgasmos e portanto sabem que não podem confiar. Se os homens desconfiam que até suas esposas simulam orgasmos, o que dirá das profissionais do sexo, que são pagas?

Ele vinha, sim, focado no próprio prazer, e não porque queria me fazer gozar. Porém, porque isto lhe é instituído, inclusive até como respeito à profissional, àquilo que é o trabalho dela.

Mas o que descobri, com o tempo, é que o português ama, realmente ama dar prazer para uma mulher na cama. Quando eu ensinava aquilo que me dava prazer, claro que eles não eram obrigados a fazer o que eu gostava, mas faziam, e faziam com gosto, e perguntavam o que mais podiam fazer para o meu prazer, e perguntavam o que eles poderiam fazer para dar mais prazer para as suas parceiras, isso foi algo que notei mesmo muito nos portugueses, esse desejo verdadeiro de dar prazer para a mulher. 

Não, eu não podia nem falar nisso nessa altura que tinha o blog e ainda atendia, apesar de ter confessado alguns dos meus orgasmos. Mas se falasse nisso assim, de forma tão clara, certamente apareceria um ou outro parvo a dizer "Dar prazer para uma prostituta? Então ela que deveria me pagar para isso!", mentalidade esta de alguém que ainda não sabe que está a pagar apenas pelo tempo dela, mais nada. 

Sexo é entre duas pessoas. Pessoas, independente de uma delas ser profissional ou não. Se o sexo é entre uma pessoa e um objeto, mais justo seria eu comprar bonecas em sexshops, colocá-las em vários quartos e passar a cafetinar as bonecas. Não, eu sou uma pessoa, sempre fui.

E o sexo, para ser considerado sexo, é quando é para o prazer de ambos. Se foi só para o teu prazer, sinto lhe informar que isto não foi sexo, apenas usaste o corpo de outra pessoa para se masturbar.

Para mim sempre foi muito estimulante perceber como vários tipos de homens podiam me dar prazer de tão variadas formas. E muito gratificante também, ao perceber que saíam do meu quarto se tornando homens melhores com as próximas parceiras que teriam.

Como disse, foi uma grande surpresa essa descoberta. Não foi algo imposto, estratégico ou planeado, acontecia quando era para acontecer, quando o corpo pedia. Na maior parte dos casos, o homem vinha realmente a pensar apenas na sua própria satisfação, muitas vezes até já a saber quais posições queria fazer, o que ELE mais gostava de fazer, o que dava mais prazer para ELE. E ele não tinha, realmente, qualquer obrigação de fazer as minhas vontades, eu não poderia obrigá-lo, ainda mais na posição que estava, enquanto profissional, mas foi uma grande surpresa por ver o quanto ficavam felizes por isso, o quanto se empenhavam, o quanto para eles era realmente mais satisfatório poder proporcionar prazer para uma mulher, encontrei essa característica mais no homem português do que nos homens de qualquer outra nacionalidade. 

Esse post terá continuação. Siga meu Twitter e anote meu e-mail: osdiariosdepaulalee@gmail.com.

 

 

 

Homens portugueses são os melhores no sexo - Parte 1

Paula Lee, 12.10.20

Sim, os homens portugueses são os melhores no sexo!

Mas para justificar MINHA opinião com argumentos, preciso colocar antes alguns pontos para que entendam as minhas justificativas, e sim, esse post terá continuação porque não daria para escrever tudo num post só. (Até daria, mas ficaria muito longo e quem me conhece já sabe dessa minha mania de dividir os posts em partes).

Primeiro, quero deixar claro que é apenas a MINHA opinião, e que a minha opinião pode não refletir a opinião de todas as profissionais ou ex-profissionais do setor onde trabalhei por tantos anos.

Mesmo entre as profissionais do sexo, as opiniões podem variar muito.

- Primeiramente porque, antes de serem profissionais, são PESSOAS, possuem suas próprias experiências e preferências, logo ninguém é obrigado a gostar das mesmas coisas, e também não necessariamente todas as profissionais passarão pelas mesmas experiências e sentirão as mesmas emoções.

- Depois, há que se levar em conta que eu comecei a minha vida como profissional do sexo ainda muito jovem, muitas das minhas descobertas sexuais foram enquanto trabalhava como profissional do sexo (em um dia enquanto prostituta, eu fazia sexo com mais homens do que a quantidade de homens com os quais tinha transado a minha vida toda antes de entrar na prostituição, eu nem deveria ter sido considerada "profissional do sexo" nessa época, rs, mas "aprendiz do sexo", rsrs, título este que, aliás, acho que deveríamos levar para a vida toda, porque o sexo é sempre aprendizagem).

Ainda sobre o fato de ter sido profissional do sexo muito jovem, é necessário referir que existe também um "fetichismo" pela juventude, ou seja, nem todos, mas com certeza uma boa parte dos clientes que eu tinha, se tornavam meus clientes unicamente pelo fato de eu ser jovem, e não em função da minha experiência ou do que tinha ou não a oferecer em termos de sexo. Ou seja, é claro que uma profissional do sexo mais madura poderá ter opiniões bem diferentes das minhas a respeito dos clientes, porque alguns deles nem serão os mesmos. 

Fora que, muito diferente, era se eu tivesse antes experimentado a vida de mulher casada, do dia-a-dia no sexo, a convivência, e só depois disso ter entrado na prostituição. 

- Devo referir que a MINHA opinião diz respeito aos anos em que trabalhei como profissional do sexo em Portugal. Não sei se os homens portugueses hoje estão melhores ou piores, o que trarei aqui é sobre o que EU vivi NAQUELA época.

- A seguir, deve-se levar em conta os ambientes pelos quais passei enquanto profissional do sexo, primeiro pelos bordéis, depois apartamento de convívio e de seguida como acompanhante, e sim, há diferença do sexo nestes três "nichos", apesar de algumas semelhanças também. (Da mesma forma que, no comportamento e performance sexual, consigo notar também sutis diferenças de uma região do país para a outra).

- Deve-se lembrar também que, apesar de eu ter trabalhado em diferentes "nichos" da prostituição, e apesar de em cada um desses nichos a clientela poder inclusive ter condições financeiras diferentes, há um ponto por exemplo que sempre se manteve inflexível em todo o meu percurso, que é o fato de que, independente se no bordel, apartamento de convívio ou enquanto acompanhante de luxo, nunca cedi às relações sexuais desprotegidas, incluindo o tal do "oral ao natural", que sempre me neguei a fazer. Logo, quando falo de homens portugueses, ou quando falo de clientes, não estou a falar desse público que procura por "e não faz nada ao natural?", porque não o conheço, nunca o atendi. Além de ser um público menos inteligente e totalmente insano e irresponsável, era um público criminoso, a meu ver, porque levavam ao risco muitas meninas que dependiam do sexo para viver e que não sabiam se impor para proteger a própria saúde.

- Outro detalhe é que, com o passar do tempo, principalmente depois que me tornei uma profissional do sexo independente, tive a liberdade de criar o meu próprio estilo nos atendimentos, e assim atrair um público específico que vinha muito em função desse estilo. Nem todos, como é óbvio, mas muitos dos meus clientes (maioria!) vinham porque eu tinha o estilo "namoradinha" e "professorinha", no sentido de que eles não vinham para dar uma rapidinha e ir embora, havia conversa, havia convívio, não era só "tirar a roupa e esvaziar", muitos vinham querendo aprender também, logo é natural que as minhas percepções também sejam consequência disso, do tipo de clientes que eu atendia, o que quer dizer que as minhas opiniões talvez poderiam ter se tornado bem diferentes caso eu tivesse, por exemplo, mantido todo o meu percurso a trabalhar apenas em bordéis e tendo que ceder à pressão de regras que nem eram minhas. 

- Enquanto eu atendia, e mantinha o blog, fiz sim, várias críticas aos comportamentos de alguns clientes. Estas críticas, inclusive, muitas vezes eram no calor do momento, porque eu descrevia situações que, muitas vezes, tinham acabado de acontecer. Dizer agora que os portugueses são os melhores homens no sexo não é retirar essas críticas, que a meu ver foram críticas construtivas, educativas, a ensinar "não vá por esse caminho, aprenda como se faz". Sim, há muitos homens que são parvos, arrogantes, rudes, grosseiros, machistas, e consequentemente, ruins de sexo, e eu tive o desprazer de ter trepado com estes também, não foi tudo um mar de rosas. Todavia, se digo que os portugueses são os melhores no sexo, é porque estes, os que critiquei, não foram maioria, e seria injusto, com a própria estatística do meu percurso, julgar todos por causa de alguns. Fora que, além dos portugueses, eu atendi pessoas de praticamente todas as nacionalidades, seja quando viajei para fora, seja em algumas cidades portuguesas, mais turísticas, onde também atendia muitos estrangeiros, e fazendo essa comparação, sim, os portugueses são os melhores no sexo, vou explicar isso no próximo post.

- Muito importante dizer também que, hoje, tantos anos após ter deixado de ser profissional do sexo, tenho muito mais liberdade para dizer isto do que teria quando atendia e mantinha um blog. Porque, se eu dissesse na época que os portugueses são os melhores no sexo, sempre haveria quem considerasse que estava a falar isso para "vender o meu peixe", atrair clientes, quando pelo contrário, eu tinha um diário íntimo, onde o objetivo era mostrar a realidade tal como ela se apresentava, tal como eu a sentia. 

Amanhã continuo esse post. Enquanto isso, me siga no Twitter e anote meu e-mail: osdiariosdepaulalee@gmail.com.